Ganesha- Manifestação do Absoluto. - Oswaldo Mammana Neto. 

Ganesha é uma deidade muito adorada dentro do panteão de 
deuses hindus. Muitas lendas envolvem seu nascimento, 
assim como muitos mistérios envolvem sua forma sagrada.
Ganesha envolve em si muitas peculiaridades as quais 
apenas a devoção unida ao próprio discernimento e 
capacidade discriminativa do Real e do Existencial podem 
compreender.
Em geral pessoas tendem a fascinar-se pelas histórias 
narradas sobre os diversos puranas e outros. Crer nessas 
narrativas como dogma de fé é perfeito pois aproxima o 
devoto de sua respectiva deidade. Ganesha possui uma 
história complexa e muitas vezes “contraditória”, o termo 
contraditório não está querendo expressar um modo 
pejorativo e sim convida o leitor a uma reflexão mais 
profunda acerca dos mitos e lendas sobre Ganesha. 
Deixamos claro que cada mito expressa dentro de si um 
conhecimento transcedental que ultrapassa os limites da 
mente e nos aproxima do Atman. Muitos estudiosos 
argumentam que Ganapati seria um semi-deus, pessoas essas 
que tendem a classificar divindades como se uma fosse 
mais importante que a outra. Isso apenas demonstra que o 
ser humano não possui ainda o discernimento necessário 
para compreender as diversas formas do Absoluto. Se 
trilharmos um pouco o caminho da discriminação saberemos 
que a figura de Ganesha traduz muito mais do que a de um 
deva envolvido na matéria e preocupado com coisas 
materiais. O termo semi-deus é uma tradução muito parca 
do que vem a ser um deva em seu sentido espiritual. Se 
formos cometer o equívoco de classificarmos os devas ( 
como dito acima algo que mostra a necessidade do ser 
humano de racionalizar o transcendental) veremos 
curiosamente que Ganesha de forma alguma pode ser 
classificado como apenas um semi-deus ou deva menor. 
Ganesha através de seu simbolismo encerra claramente ser 
uma manifestação do Absoluto pois é o símbolo do homem 
que atingiu a liberação e os caminhos os quais o homem 
deve seguir. Muitos termos designam devas maiores ou 
menores como o termo Maha Deva usado para designar Lorde 
Shiva e Maha Vishnu. Não devemos nos esquecer que em 
muitos textos sagrado Ganesha é descrito como 
MahaGanapati. Em algumas traduções o nome Ganesha 
significa Gana- Isha. Gana que em muitas traduções refere-
se ao exército de Shiva, porém muitas vezes é associado 
em traduções a Guna ( os três gunas: Tamas, Rajas e 
Satvas- também descritos como modos de ignorância, paixão 
e bondade.) e Isha ao Ishvara que tanto os vaishnavas 
utilizam e pode ser traduzido como controlador, controle 
etc. Analizando dessa forma Ganesha passa a ter o 
significado de Gana-Isha, Controlador dos modos da 
natureza, portanto senhor do karma (isso pode traduzir o 
porque também é associado a remover os obstáculos). Por 
fim é válido lembrar que talvez os verdadeiros “semi-
deuses” os quais Krishna se refere sejam: Indra, Varuna, 
Kuvera, Yama etc. Estes não porque são inferiores e sim 
porque segundo os Vedas foram um dia mortais e beberam do 
Soma para atinjir a Imortalidade e o status de devas. 
Ganesha pelo contrário é filho primogênito de Shiva e 
traduz em si as glórias do Absoluto. Gostaríamos apenas 
de salientar que quando Krishna diz no Gita que aqueles 
que adoram os semi-deuses estão ligados a matéria etc. 
pode ser interpretado como óbvio o fato de Krishna 
condenar aqueles que adoram semi-deuses “apenas para 
atingir vantagens materiais”. Ganesha diferente de outros 
é uma manifestação direta do Absoluto pois corta com seu 
aguilhão os apegos a matéria e nos conduz a Suprema 
Realidade da qual ele próprio provém. Tentamos acima uma 
explicação racional do mistério de Ganesha apesar de 
temos que ter em mente que talvez não consigamos isso 
plenamente pois toda a Verdade transcende a mente. Não 
devemos portanto nunca dizer que um verdade é mais válida 
que outra, a classificação de deuses apesar de ser 
interessante a mente humana por essa ser tendenciosa a 
hierarquizar é puramente supérfula no caminho espiritual. 
O Absoluto possui várias formas assim com é também sem 
forma.
Não é ERRADO adorar Ganesha, assim como não é errado 
adorar: Krishna, Vishnu, Shiva, Durga etc.

Encerro este artigo com as palavras do Grande Mestre 
Ramakrishna em seu ensinamento a um discípulo:

Mestre: “Bem, você acredita num Deus com forma ou sem 
forma?”
M: “ Senhor gosto de pensar em Deus sem forma.”

Mestre: Muito bem. É suficiente ter fé em qualquer um 
desses aspectos. Você acredita em Deus sem forma, está 
muito bem, mais jamais pense que só isso seja verdadeiro 
e tudo o mais seja falso. Lembre-se de que Deus com forma 
é tão verdadeiro como Deus sem forma, mais fique firme em 
sua convicção.” 
(Evangelho de Sri Ramakrishna, Cap.1- Mestre e Discípulo, 
pp.53)


2003, Oswaldo Mammana Neto para Om Ganesha Web Site
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